Há camisolas que marcam uma época. Esta marca 120 delas.

O Sporting apresentou a camisola principal de 2026/27 a 13 de julho, às 19h06 em ponto, hora escolhida a dedo para lembrar o ano da fundação. E, num pormenor que só o calendário podia oferecer, fê-lo na véspera de defrontar o Celtic no Estádio Algarve, o clube da outra camisola comemorativa que analisei este verão, a edição dos 60 anos dos Lisbon Lions. Dois gigantes das riscas verdes e brancas, duas homenagens à própria história no mesmo verão.

O primeiro impacto vem do tom. A Nike escureceu o verde em relação a 2025/26 e o resultado dá outra seriedade às onze riscas horizontais que dominam o corpo. A gola volta a ser branca, tal como os punhos, e o swoosh branco no peito completa um conjunto limpo, sem ruído. Calções pretos e meias listadas fecham o equipamento como manda a tradição.

Mas a verdadeira notícia está no peito. O emblema que aqui se estreia é, na prática, um regresso: a versão modernizada do escudo clássico que o clube usou entre 1945 e 2001, recuperado quase um quarto de século depois do símbolo introduzido em 2002. Quem acompanhou nesta coleção a novela do emblema leonino, da última camisola com a sigla SCP em 2001/02 ao regresso das iniciais em 2011/12, percebe o peso deste momento. Não é um redesign, é uma reconciliação.

Os detalhes comemorativos vêm todos a ouro e todos com conta, peso e medida: o número 120 sob a gola, nas costas, e a etiqueta 1906 2026 na bainha. Nada de padrões escondidos nem grafismos forçados. A homenagem está no essencial, exatamente como deve ser numa camisola do Sporting.

O exemplar que guardo na coleção tem ainda um pormenor pessoal: nas costas lê-se Hoopster 10. Numa coleção com mais de duas dezenas de camisolas do Sporting, de 1987 até hoje, esta é a peça que dá o nome à casa. Havia de ser assinada.

Cento e vinte anos depois do Campo Grande, o Sporting provou que a melhor forma de olhar para o futuro pode ser recuperar aquilo que nunca devia ter deixado para trás.