MCMVI na gola, 1906 em numeração romana: a Macron encheu esta camisola de referências à fundação numa época em que o clube andava à procura de se refundar a si próprio. E que época. Marcel Keizer despedido em setembro, Silas de passagem, Bruno Fernandes vendido em janeiro ao Manchester United por valores recorde, e em março, com o futebol prestes a parar pela pandemia, um treinador de 35 anos contratado ao Braga a peso de ouro entre gargalhada geral: Rúben Amorim. O campeonato terminou num quarto lugar jogado em estádios vazios, fora até das vagas da Champions, e ninguém no verão de 2020 diria que aquilo tinha sido o princípio de alguma coisa. Era. Com Amorim vieram os miúdos, com os miúdos veio a estrutura, e a época seguinte acabou com o título que fugia desde 2002. Esta é por isso uma camisola de charneira: a última do Sporting velho, a primeira do Sporting que aí vinha. As riscas com textura fina e o bico da gola em forma de logo Macron são bonitos. O que ela marca é ainda melhor.
Aqui no Hoopster esta camisola lembra que os princípios raramente parecem princípios: a venda de Bruno Fernandes, estádios vazios e um treinador de 35 anos contratado entre gargalhada geral. O MCMVI da gola sabia mais do que todos nós.